sexta-feira, 16 de setembro de 2016

lembranças pra setembro


no balanço da dúvida sideral
desviei do sol de um beijo teu
com um abraço que orbitou
um sentimento que ali nasceu

suas verdes nebulosas causam
o surgir estelar que se lança
em um novo sistema planetário
te convidando pra essa dança

e agora que valso pelo espaço
não recuso mais um beijo teu
pois em passos sussurrantes
quem busca teus lábios sou eu

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mais uma noite em que me deito tarde e minha mente ociosa me leva a reflexões involuntárias que me tiram o sono.  É incrível como algumas pessoas deixam-se levar por emoções que não têm certeza de que são reais. Obrigo-me a escrever alguma coisa sobre algo pra distrair minha mente e esquecer as baboseiras com que sonhava acordado. Alimentar meus desejos temporários e ao mesmo tempo tão momentaneamente profundos é o mesmo que entrar, de estômago vazio, em uma confeitaria e só poder sentir o cheiro das tortas. Você cria uma ideia de sua textura, maciez, gosto e do prazer que sentiria ao degusta-las, sua boca enche-se de água e seu estômago, inocentemente, prepara-se para o desejo que será saciado. Criando expectativas e ensaiando realidades você faz mal a si mesmo porque nada é ou concretiza-se da maneira esperada. Ser uma pessoa calculista significa, em muitos casos, ser inseguro e consequentemente infeliz. Gostaria que a Vida desse menos atenção às minhas ponderações e me levasse sem pesar. 

sábado, 14 de maio de 2011

Instinto

Ele realmente gostou dela, assim, de primeira. Estava escuro, ele se lembra, só não se lembra do que estava fazendo ali, nem de como havia chegado lá. O que ocorreu não estava planejado, por isso ele pecou. Perfeccionista, ele nunca errava. Era tudo planejado detalhadamente. Mas, apesar de tudo, ele é humano.

Sentia-se bem naquele cenário. Era diferente, ele gostou. Se fosse qualquer outro, estaria com medo. Ele sentia paz.  Espreguiçou-se, esfregou os olhos e bocejou. Ainda estava com sono.

Ele ouviu um riso. Ficou alerta. A dona da risada saiu das sombras e começou a aproximar-se. Não era uma ameaça, percebeu. O reflexo da lua iluminou-a e revelou sua beleza cadavérica. Ele sorriu. “A morte não poderia ser mais atraente”  brincou, calado. Ele gostou da maneira que o vento frio esvoaçou os seus cabelos.  Ela sentou-se ao seu lado e perguntou o seu nome.

Sua voz doce envolveu-o em um confabulo extasiante. Ele, tão seguro de si, gaguejava uma vez ou outra. A espontaneidade da garota fizera-o sentir-se atípico, talvez intimidado. Poucas coisas o intimidavam, principalmente as sorridentes. Ela era de certa forma especial.

Horas passaram-se. Tudo nela era um apelo ao pecado. Seus olhos, sua boca, seu queixo, seu colo. Seus instintos mais selvagens começavam a aflorar. Ele tentava segurar-se.

Mas ela era perfeita. Perfeita de mais para continuar existindo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Compromisso

É sábado, e a água do banho leva consigo todo o cansaço de mais uma semana desgastante. As pílulas que mascaram a minha natureza frágil, justificada pela gravidez conturbada, tomam o seu papel diário. O café amargo desempenha o papel da noite mal dormida. Aconchegantemente ele prepara-me para mais um dia.

Faço meus leves exercícios diários que dão-me a disposição física e mental que preciso para viver bem mais esse turno vital. Novamente lavo-me, desta vez para livrar-me dos resquícios do meu trabalho corporal.

Sento-me no sofá e assisto novamente aquele filme. Escutando as músicas de seus créditos finais, eu fico a refletir. Ainda não compreendi aquela obra, fico satisfeito.

Dou alguns toques finais no apartamento recém adquirido. Penduro alguns posters e desempacoto algumas coleções. Organizo de forma visível o meu luxo material. Pronto, ele está perfeito, do jeito que eu gosto. Meus olhos descansam e meu espírito encontra paz naquela decoração.

Após o almoço, tiro um cochilo. Acordo, lavo o rosto, e abro o livro recentemente começado. Ele é fácil, dinâmico e interessante. Gasto mais algumas horas do meu dia deliciando-me com mais um pedaço de uma história diferente.

O crepúsculo já desponta na linha do horizonte. Coloco um antigo albúm para tocar. Vou para a sacada e fumo, pensativo, o meu cigarro. O vento aconchegante balança meus cabelos e limpa meus pulmões após cada tragada do meu doce veneno. Sinto uma paz imensurável. Minha vida é tão agradável, os meus pequenos prazeres tão imensos, as minhas conquistas tão insignificativas. Rio comigo mesmo. É engraçado o quanto eu me divirto sozinho.

Pena que, para viver, eu tenho que mostrar-me aos outros com um pouco de vida.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

que vida...

No nosso ridículo dia a dia nos esquecemos do que realmente é importante. Ocupamos a cabeça com coisas de valor ínfimo que consideramos indispensáveis. Deixamos que toda a essência humana resvale entre nossos dedos e que todo amor de nossas vidas torne-se material. Há tanto mais nessa vida do que trabalho, escola, dinheiro, casamento, carro, casa própria. Há tanta coisa mais bonita do que aquilo que pode-se comprar. Estamos acostumados a essa vida quadrada, na qual o materialismo rege nosso ciclo diário. O mais engraçado é que ainda tem gente que consegue dizer que é feliz, mesmo não tendo autonomia nenhuma pela própria vida.

Não é você quem vive a sua vida, infelizmente. Você caminha os passos corrompidos da sociedade. Nós vivemos em meio a nossas próprias ganâncias. Fazemos tudo pelo dinheiro. O dinheiro. Eu queria não depender de um pedaço de papel que me diz o que eu posso ou não posso fazer. O dinheiro te humilha e você fica contente por tê-lo. Toda merda que nos acontece, toda merda que acontece no mundo tem um único culpado. Não adianta dizer que não, é só procurar um pouco mais a fundo.

Tenho pena de você por viver no mesmo mundo que eu. Tenho pena por sua vida ser ditada e regrada do mesmo modo que a minha. Você é infeliz, e nem se dá conta disso.

 Há tanta coisa que eu gostaria de não viver.